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Esperança contra o câncer: revolucionária, imunoterapia tem menos efeitos colaterais

10/10/2018
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Fortalecer o sistema imune, “desmarcar” o tumor e fazer com que o próprio corpo combata o câncer. Essa é a forma mais didática de explicar a ação dos imunoterápicos, medicamentos que fazem parte do mais recente tratamento contra o mal.

A descoberta, que revolucionou especialmente o combate ao melanoma e ao tumor de pulmão, rendeu, inclusive, o Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia 2018 para o americano James P. Allison e o japonês Tasuku Honjo, entregue em 1º de outubro.

A pesquisa já possibilitou a redução de mortalidade para os dois tipos e também para o câncer nos rins.

“Dentre tantas descobertas, essa faz uma diferença que não dá para ignorar. Há grandes ganhos para os pacientes”, destaca Munir Murad Júnior, coordenador médico do Serviço Especial de Oncologia do Hospital das Clínicas.

Pesquisas

Ainda não incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) e sendo aos poucos inserida em planos de saúde, a imunoterapia é eficiente no tratamento contra alguns tipos de câncer e há diversas pesquisas em todo o mundo que visam expandir a abrangência.

A diferença fundamental entre esta e a quimioterapia é que, na imunoterapia, é o organismo do paciente que elimina as células cancerosas. Já na quimio, os remédios destroem tanto células doentes quanto sadias.

Oncologista da Oncomed Leandro Ramos explica que, normalmente, o sistema imunológico reconhece células potencialmente perigosas ao corpo e as ataca. No entanto, as tumorais produzem uma proteína que cria uma espécie de “venda” nas de defesa, fazendo com que elas não reconheçam que o tumor é um agente prejudicial.

“Os imunoterápicos servem para retirar a ‘venda’, estimulando o sistema imunológico a agir. Quem destrói a célula tumoral é o próprio organismo”, explica o médico.

Apesar de a toxicidade dessas substâncias não ser desprezível, as reações adversas são bem menores que a de uma quimioterapia. “É um processo mais controlável e menos intenso. Não há queda de cabelo ou fraqueza provocada pela droga. Mas, podem ocorrer reações imunes relacionadas a pele, pulmão, tireoide e fígado”, expõe o oncologista Munir Murad Júnior.

Mama

O segundo câncer mais recorrente e que mais causa mortes de mulheres no país ainda não possui esse tipo de tratamento. “A imunoterapia para o de mama está em caráter experimental. Não temos nenhum imunoterápico aprovado pela Anvisa no Brasil para este fim”, afirma Alexandre Ribas, oncologista do Hospital Felício Rocho.

Atualmente, o método de combate a esse mal consiste em cirurgia, quimio e radioterapia. “Vai variar se a doença está localizada na mama ou se já está espalhada. Quando não tem metástase, o tratamento dura um ano, geralmente”, informa Carolina Valadares, mastologista do Cetus Oncologia.

Conforme Munir Murad Júnior, do Hospital das Clínicas, para o câncer de mama os estudos ainda são incipientes. “É uma doença heterogênea, são vários subtipos e está se tentando entender qual ou quais deles que poderiam responder melhor à terapia”, diz.

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